baby boy three | mé

A ultima, mas não menos importante dica do ano é esta minha nova descoberta. A Mé apareceu do nada e eu fiquei logo fã! Que há muita gente a fazer malhas, isso há, nesta altura quase todas as marcas e lojas têm peças de palhinha, quentinhas para os mais pequeninos, mas nem todas acessíveis nem todas giras e nem todas nestes tons lindos de morrer. Gosto de ver bebés de azul e rosa, não minto, de branco ficam sempre bem, mas os azuis mais água, os verdes menta, os mostarda e os cinzas quer claros ou mais escuros, ficam tão queridos, mesmo em tamanho mini mini. 
A grande indecisão foi só decidir o tamanho, porque por mim mandava vir um tamanho de cada cor… optei por mandar vir para os 3 meses as jardineiras em mostarda com a touca em cinza e pompom mostarda… mas em mente já tenho exactamente o inverso para os 12 meses, ou seja para daqui a um ano!!! parece impossível que eu faça assim tantos planos e normalmente não faço, mas há coisas que valem a pena ter logo… no entanto quero ver o baby v nos braços, porque também sei que ás vezes é preciso vê-los para sabermos quem são e como são…
Espreitem os links desta marca, vão adorar tenho a certeza e que ainda tem tanto para dar e fazer no próximo ano… acredito que em 2017 virão por aí surpresas boas e que nos farão suspirar muito ainda. 
Provavelmente o último post do ano, e com isto me despeço… vemo-nos num novo ano, numa nova semana e de baixa de gravidez na tentativa de passar aqui cada vez mais. 

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the most honest post i’ve ever written | parte 2

make pie not war | etsy shop

entretanto passou uma semana… das mais difíceis de sempre, das mais longas e sem dúvida das mais surpreendentes. nunca passei por nada assim, nada que doesse tanto, nada de tão complicado de entender, perceber e ver uma luz no final do túnel… no entanto, a vida não permite que eu pare completamente e passe os dias a ponderar… e quem me conhece sabe, para cada stress mais profundo eu tiraria férias se possível para poder moer, ponderar, teorizar e escrever um livro sobre o assunto… impossível nesta altura da vida. será uma vantagem, acredito que sim, apetece claro parar, mas ao pararmos também nos apercebemos de todos os contornos da dor, da tristeza e sem dúvida enterramo-nos num poço mais profundo do que devíamos e merecíamos.

se por um lado acredito que cada um de nós deverá fazer o seu próprio luto, e viver a sua perda e pena de si mesmo, acredito também que parar é morrer um bocadinho… e eu parei o suficiente para me sentir com as mínimas forças, as que me permitissem não me ir abaixo ao primeiro abraço, ao primeiro beijo, ao primeiro encontro com quem viveu um pouco da minha felicidade comigo… não queria chorar em público, não queria pedir atenção, mas queria tanto sentir o carinho e a amizade de quem a quisesse dar. senti o apoio de todos os lado, em msgs, mails, posts, comentários, telefonemas, etc. senti-me acompanhada, porque mais do que não contarmos logo tudo num momento de início de gravidez, acredito e acho importante termos o todo o apoio nos momentos mais difíceis, mais tristes, pois sozinha não teria sido capaz… não serei capaz certamente.

talvez o pior já tenha passado… passou a dor, passou a tristeza, passou a surpresa, a indignação, passou o medo e a raiva… passou o vazio. agora estou finalmente em paz comigo mesma. não há culpas nem há espaço para “e se…”… há sim finalmente a paz.

apesar de tudo, no momento em que percebemos que acabou, instala-se a sensação de tranquilidade. não vou esquecer, mas vou guardar no seu cantinho, aquele ao qual, se alguma vez eu tentar de novo, irei buscar as minhas forças. é diferente… não quero que desapareça, fará sempre parte de mim, mas será sem dúvida um medo miudinho permanente, mas que me fará sem dúvida mais forte, mais atenta… até ao dia.

todos me prometem mil maravilhas a partir daqui, tu consegues, vais ver que passa, vais ver que terás mais bebés lindos, isto é só um percalço, acontece a todas, passa rápido, não te preocupes, agora é que é… e eu nada. acredito na esperança que cada um deposita nos outros, mas eu não a sinto ainda. agora só quero que acabe… e ontem, hoje finalmente acabou. sinto o corpo meu de novo, sinto a cabeça mais leve e o coração aberto de novo. tenho quem precise de mim, tenho dois filhos que me querem por perto e isso tem que superar qualquer momento mais triste… depois logo se vê. não digo que não têm razão, mas agora não.

até lá há filhos para criar, uma casa para arrumar, um marido que me quer e tantos planos muito mais fáceis de concretizar. há teares para oferecer, um loja para encher e muita tralha para arrumar.
estou bem… finalmente estou bem. obrigada por tudo, obrigada pelo carinho e por estarem aí… não querendo tornar o blog sobre isto, prometo dar notícias.

até lá… para quem passou por isto… eu estou aqui. 
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the most honest post i have ever written…



fev.15

it’s been a week since i have had the second most horrible moment of my life… and one week since i entered the same room where almost six years ago i had my first… both concerning my pregnancies.


i have known that i am pregnant for two weeks now, and i was happy for about three days, then tired, then worried, then scared… and now i think i am a mix of numb and nervous. i’ve been relaxing between my bed and the couch because i have been put on bed rest… and i can’t really love this or daydream much because though i feel fine, my medical tests indicate that things are going ok but i still can’t let myself imagine anything cute or sweet or adorable because until tomorrow when i visit my doctor i can’t relax completely and accept this new beginning… i want to, i believe i should not fear, but it’s still too soon for me… i feel like i am robbing myself of a little bit of happiness and at the same time i am doing what i can to stay well and make everything perfect for this baby… 


feb,16
today is the day… the day when i finally visit my doctor and have a sit down with her and figure out what happened and how i have to protect this baby and myself… understand how to go from here and finally, i hope, relax and enjoy what’s coming. 

i dream of it sometimes, i think of names sometimes, i see baby clothes sometimes… but i feel stupid, i feel scared and i feel like it’s too soon… 

she said everything was ok… though i felt her more nervous than ever… 
more bed rest, another month, should i worry?


feb.23
…another week has passed… and i am still home and i am still on “bedrest” not exactly on my bed, but the couch… and though i know this is good for me, and i’m doing what i can to be ok and for this baby to me ok… but i am going crazy… so sad of being alone all day. i get tired, cranky, sad, sleepy and so left out…


mar.01
today, march first, i found out the pregnancy didn’t go through and i have no baby… never had

i have never felt this strange before, this empty, this ridiculous and deeply sad. part of me wants to cry out loud, yell, get angry “what the hell did i do for this to happen”, part wants to believe it wasn’t meant to be, nature has it’s way of knowing, life has a weird way of showing it… but i only really want to cry… not get angry, not get furious, but just cry. part wants to go back in time and not have spent money on pregnancy clothes, part wants to erase the moments i talked to my belly, part wants to not have gotten excited, not have told anyone… but here i am… deeply sadden, feeling empty and alone and somewhat ashamed and i have no ideia how i would’ve been had i not told anyone… 

it is very difficult to explain what i feel because in a way i do not believe it, for i still feel pregnant… as if my body did not give up, as if i believed it so much it changed for me… but no baby… so now i feel the worst i have ever felt in my life and i have no control over this. 

my first thought was flashbacks of things i maybe did wrong, or of all my superstitions, but none comes to mind that makes sense, i can’t have not developed a baby because i was afraid something was wrong, or that i couldn’t make up my mind about a name or if this time we were going to find out the sex of the baby before it was born unlike we did with the twins… nothing makes sense… i don’t feel i deserve it, but then something trigers my most calm self and i think maybe, just maybe… this pregnancy wasn’t meant to be… not me as a mother, but this specific time, this specific moment. 

many women go through this and come out retrying and having amazing babies after a while, and i would be the first of my friends to tell myself that things will be good again, a baby will come and i will live this dream of mine… but right now i cannot see past my bed, and my life right now. 
as i look at my children, and gosh they are already so beautiful and enough… i believe in the future, but also need this time of mourning to calmly get back on my feet and allow myself this sadness, this emptiness and void this has left in me.

though the world didn’t know of my happy news… i needed to share this sad moment here… as if talking, writing or just letting it out makes things a bit easier for me… 
i do not know where to move from here… but i will move on and get back on my feet. for the time being i am just going to sit here for a while and mourn this life i was expecting.

to all of you who go through this i do not know what to say except that i have never understood your pain so well as now… my prayers go out to all of you.
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it’s my birthday | december thirteenth

1 | 2 | 3 e 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9

faltam aqui umas coisinhas… as que eu me vou oferecer a mim própria! que valem tanto quanto as outras, como por exemplo a sessão fotográfica dos anos… e que bem que me sabe sentir-me única por um dia. no fundo eu não preciso de nada, mas também não sou tão zen que não goste de receber presentes. quero algumas coisas, mas se não vierem, virão outras e de alguma maneira chegarão a mim. desde um bolo lindo para o brunch dos meus anos, à viagem a milão que mesmo que certa, sabe-me a ouro, a tatuagem para que me lembre do que sou, da capa do telémovel que preciso, para a agenda que é necessária desde o primeiro dia, ás almofadas e máquina fotográfica que me ajudariam a ser mais feliz certamente!! eu sei lá… a lista poderia ser mais pequena, mas os desejos, esses são infinitos, para mim e para os que me circundam… 

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keep calm and let go

e mais uma semana começa com tantas boas intenções apesar da chuva… apesar do rumo que o país poderá ou não tomar a partir do momento que temos um deputado do pan no parlamento… enfim.
mais uma semana de muitos arrumos, limpezas e controlo. todas as semanas recomeço um processo novo de organização, mesmo que a lista dos to-dos seja eterna e que já venha de trás de tal maneira rabiscada que só precise mesmo de um novo look, começo de novo, limpinha, sem erros nem correcções, pronta para reformular tarefas, ideias, planos e sugestões. é mais forte que eu, como se este meu amor a escrever, não quero escrever um livro quero apenas dar corda à mão, não me deixasse usar a mesma lista vezes sem conta e precisa de a reescrever para que a mente não se esqueça. 
o meu último exercício de memória é perdê-la. ultimamente tenho-me apercebido que guardo imensa coisa na cabeça, inútil. dá jeito para quem à minha volta perde coisas, ou já não se lembra de outras, não sabe se alguém faz anos ou se é preciso pagar uma conta qualquer não sei de quê… mas eu estou cansada de ser o hard disk externo dos outros e por isso mesmo o exercício de escrever tudo ajuda-me a ter sob controlo aquilo que quero ou não guardar na cabeça. é claro que, como tantas pessoas, a partir do momento que o escrevo, decoro-o e não me esqueço, mas há de vez em quando um momento em que digo “já não me lembro, vou ver…” e procuro nos cadernos, listas e lembretes e voilá, ali está o pormenor que não guardei na cabeça mas que soube mantê-lo por perto… isto, parece que não mas é um exercício terrívelmente difícil para mim. quem me conhece sabe que guardo tudo, associado aos mais estúpidos, estranhos, particulares pormenores, quase como uma cábula que em vez de estar escondida para um teste no liceu, está guardada na memória. também não vou perder isto de um dia para o outro, mas devagar se vai ao longe (já dizia o título do meu livro de português da segunda-classe) e com calma lá chegarei. perderei no processo tanta coisa à qual dei demasiado valor, mas a vida é feita disso mesmo… tudo no seu devido momento. 
agora só preciso de tempo e de coragem.

brigida brito fotografia | site | facebook 

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medos | fears

milano | andiamo a casa
chama-se medo a esta minha ansiedade, este meu nervoso, este meu pânico silêncioso. medo de voar. ando de avião desde os meus nove anos e frequentemente… mesmo… algures no meu talvez 138º voo dei comigo a agarrar o braço da cadeira como se fosse ser atirada dali, a rezar o terço para dentro e focada na asa que estava ao meu lado como se a pudesse controlar e impedir que caísse… levantei-me quando vi o sinal do cinto desaparecer e fui ter com uma hospedeira… “desculpe… mas acho que estou a ficar com medo de voar”, ela achou que não era nada… percebo-a, ela faz isto 5x ao dia, e pensei que fosse ridículo que eu estivesse assim… tinha eu 25 anos… agora, 10 anos depois sinto-me completamente rendida ao medo. por enquanto nenhum medo, ansiedade e pânico em relação a voar me impediu de voar. nunca deixei de ir a lado nenhum por isto… há voos piores e outros melhores. por exemplo a primeira x que vim de maputo, estava tão k.o. que dormi o voo todo… onze horas… nem queria acreditar… e que bom que foi voltar a ter segurança, mas o levantar deixa-me sempre com o coração na guela, caiem-me lágrimas, assim que sai o sinal do cinto levanto-me e vou ao wc… fico lá 5minutos e respiro fundo, ás vezes rezo, relaxa-me, peço um copo de água, maior parte das vezes dão-me um calmante fraquinho, conversam comigo e perguntam-me sempre onde estou sentada e que vão passando… eu não voo low cost por mil razões e mais algumas… esta é uma delas! 
já tentei analizar a coisa, mas desisti… cada voo é diferente, cada voo tenho a sensação que vou explodir de stress, e analiso tudo: sento-me à janela? fico no corredor? consigo comer? faz-me bem beber café? fico pela água? preciso de açúcar? vou falar com alguém? leio? vejo um filme? levo música?… o mais estranho é que há dez anos, antes daquele voo em que controlei a asa, eu chegava ao avião, trocava sempre de lugar para ocupar uns três sozinha, abria duas mesas para montar escritório e uma para a comida, demorava horas a almoçar, lanchava e tomava 4 cafés. dormia em voos de 2h e sabia os sons e movimentos do avião de cor. tinha a sensação que era eu que voava o monstro… mas agora… é tudo tão diferente… faltam cinco dias e eu já ando pensativa, não durmo bem e dou comigo a pensar como vou lidar com o voo e quantos calmantes vou tomar… não sei se preciso de ajuda, mas não posso ser a única… mais alguém? 

today’s post is not about architecture, though i may still throw in a interior design for there are updates to the boy’s bedroom, anyway… i feel like i need to deal with this thing i’m going through… flying! since i can remember i wanted to fly, i wished for it on a daily basis, i loved flying on airplanes because it literally was the closest i could get to this crazy dream. coming from a family where my grandmother was the first woman to get a plane permit in mozambique i secretly wished i could achieve such a moment by learning how to fly myself… with my arms. my relationship with airplanes went from when i was little to now, as crazy love to horrible fear.

i don’t really remember when it started but i have done the math and on what i think was my 138th flight i found myself taking off holding my breath and silently praying while i looked out the window and focused on the wing, as if i was stopping it from falling. i have no idea why… i don’t even have one bad experience that could justify such behavior. i tried to analyze it myself, but just keep making it worse, because every flight i take makes me literally think i will not make it for heart reasons. 
i am now five days always from flying and already i find myself a bit nervous, i can’t fall asleep quickly, i find myself telling myself to calm down, i am trying to decided if this time i will take some sort of drug to calm down, or drink whisky… if i should sit by the window and pretend i have control over the wing again, or if it’s better to just stay in the aisle and have easy access to hostess’ and bathrooms. should i or shouldn’t i let the whole plane know i am afraid, or try to keep it in for my children’s sake… i have no recipe for the perfect flight anymore. and this coming from someone who would literally occupy three seats in order to have two tables for “office space” and one for food. i used to lay down to sleep even on a 2h flight… i do not understand what happened along the way, but it did and i need to understand it in order to not scream as we go up… do you have any tricks? do you panic? do you cry? (‘cause i have…)
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me, myself and i | day one

they say a mother’s arms are made of tenderness and children sleep sound in them… but not tonight and not for the next 9 nights of my life. my boys, all three of them are gone for the week and i am still not sure i can handle the amount of time i will have to think. sit, stay and relax. it’s funny because when one becomes a parent, though you love your children you long for quiet time, you dream of romantic nights with him without worrying that you’ll have to wake up early with hungry for breakfast, cartoons and bike ride kids. i’ve had nights without my kids, usually not more than three without seeing them and in all these 4 and a half years only one night all by myself. it’s not like i need it to be happier, i am a dedicated mom and wife and i love what i bring to this family, i know i don’t really need free time, specially not this much… but then again. i have nine days left of my time and maybe just maybe i will enjoy it.
what really had me worried wasn’t the fact of having a whole week of being alone, it was the saying goodbye, the taking them to the airport and keeping that smile on when your children are so excited they can’t see anyone cry. i kept my cool saying goodbye, tried to be strong, but in the end with M and F hugged me tight just before passing the gate i let myself relax and i cried, and cried and cried and kept crying until three hours later i got a message saying they were ok, landed safely and we’re finally home… milan is home to the four of us, his home forever and mine for the last 11 years and for the boys it’s where the horizon is so far you can see all the way to lisbon. as soon as the msg arrived i felt a weight off of my shoulders as if afraid of letting go until i knew they were safely there… no one can understand this fear i have of flying, i don’t understand it myself most of the time and i wish i did because it would probably help a lot if i just knew why… but this is more than that, it’s the letting go that’s hard, the not seeing, the not being part of what they do… i think that’s why we mothers cry when they go to kindergarten and become people outside of our little world, letting your children on a plane with just dad is part of the process, probably even for dad, because maybe he also needs this, the responsibility the freedom of choosing and deciding everything… it gives us some control i sure deep down love it. i’m sure this will be good for him… for us.

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the architect in me | casa maiocchi

casa maiocchi | fabio azzolina architetto | milão . itália
estes posts sobre arquitectura são talvez, mesmo não parecendo, aqueles que mais me preenchem. no fundo, isto é a minha profissão, ser arquitecta faz parte de mim e eu não sei ser outra coisa. sempre gostei do que faço e em todos os meus projectos, onde meto a mão, tenho que me dedicar com tudo o que é meu, alma, coração, marido, e principalmente a mente! 
enquanto tirava o curso diziam-me que o estágio profissional iria ser um horror porque serviam apenas para fazer os estagiários irem fazer fotocópias e servir cafés… entre outras coisas que até em filme circulavam em tempos, mas isso é outra coisa… enfim. 
quando acabei o curso estava em milão, decidi lá ficar entre outras coisas porque queria mesmo experimentar trabalhar em itália, onde melhor que portugal para fazer arquitectura? milão! procurei trabalho e encontrei um part-time, chegava-me e bem. qual o meu primeiro trabalhinho? fazer a remodelação de uma ex-fábrica de rebuçados num loft! servir café? nunca! fazer fotocópias? nunca! enviar faxes? nunca! fazer recados? nunca! tive um grande boss!
esta casa maiocchi foi o meu segundo projecto (depois mostro o primeiro), do início ao fim, desde o desenho, à entrega da chave ao cliente! um solteirão, milionário e com gostos caros, mas que acima de tudo queria transmitir um ar muito cool. na altura ele tinha 34 anos, eu 24! hoje eu tenho a idade dele e continuo a achar que não estive nada mal como primeira tentativa! 
o espaço era estranho já por si, num L que se abria para um pátio, patio esse dividido por três lofts, todos com janelões enormes, onde luz não faltava, mesmo no inverno milanês. o pé-direito era tal que conseguimos criar mezzanini perfeitos, entre duas suites e um mini-office sobre a sala e cozinha, mini-office esse que levava a um acesso também mini para um terraço todo forrado em ripas de madeira com espaço interno transformado numa “sala lounge”. 
eu e sete homens transformamos um espaço abandonado com cheiro a caramelo, num loft digno de um solteirão milanês, que me pediu logo no início uma banheira para três! essa foi a primeira peça da obra a ser comprada, o resto foi ao pormenor desenhado. cheguei a tirar medidas a pregos e parafusos para que não faltasse nada nos desenhos técnicos. toda a mobília criteriosamente desenhada, não tivesse eu um chefe arquitecto e designer industrial. foram meses de aprendizagem, com erros e muitas dores de cabeça, mas hoje posso olhar para estas fotografias e saber que há ali muito de mim. hoje mudaria um pouco apenas o exterior, mas de resto, vivia ali hoje! 

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