the architect in me | casa maiocchi

casa maiocchi | fabio azzolina architetto | milão . itália
estes posts sobre arquitectura são talvez, mesmo não parecendo, aqueles que mais me preenchem. no fundo, isto é a minha profissão, ser arquitecta faz parte de mim e eu não sei ser outra coisa. sempre gostei do que faço e em todos os meus projectos, onde meto a mão, tenho que me dedicar com tudo o que é meu, alma, coração, marido, e principalmente a mente! 
enquanto tirava o curso diziam-me que o estágio profissional iria ser um horror porque serviam apenas para fazer os estagiários irem fazer fotocópias e servir cafés… entre outras coisas que até em filme circulavam em tempos, mas isso é outra coisa… enfim. 
quando acabei o curso estava em milão, decidi lá ficar entre outras coisas porque queria mesmo experimentar trabalhar em itália, onde melhor que portugal para fazer arquitectura? milão! procurei trabalho e encontrei um part-time, chegava-me e bem. qual o meu primeiro trabalhinho? fazer a remodelação de uma ex-fábrica de rebuçados num loft! servir café? nunca! fazer fotocópias? nunca! enviar faxes? nunca! fazer recados? nunca! tive um grande boss!
esta casa maiocchi foi o meu segundo projecto (depois mostro o primeiro), do início ao fim, desde o desenho, à entrega da chave ao cliente! um solteirão, milionário e com gostos caros, mas que acima de tudo queria transmitir um ar muito cool. na altura ele tinha 34 anos, eu 24! hoje eu tenho a idade dele e continuo a achar que não estive nada mal como primeira tentativa! 
o espaço era estranho já por si, num L que se abria para um pátio, patio esse dividido por três lofts, todos com janelões enormes, onde luz não faltava, mesmo no inverno milanês. o pé-direito era tal que conseguimos criar mezzanini perfeitos, entre duas suites e um mini-office sobre a sala e cozinha, mini-office esse que levava a um acesso também mini para um terraço todo forrado em ripas de madeira com espaço interno transformado numa “sala lounge”. 
eu e sete homens transformamos um espaço abandonado com cheiro a caramelo, num loft digno de um solteirão milanês, que me pediu logo no início uma banheira para três! essa foi a primeira peça da obra a ser comprada, o resto foi ao pormenor desenhado. cheguei a tirar medidas a pregos e parafusos para que não faltasse nada nos desenhos técnicos. toda a mobília criteriosamente desenhada, não tivesse eu um chefe arquitecto e designer industrial. foram meses de aprendizagem, com erros e muitas dores de cabeça, mas hoje posso olhar para estas fotografias e saber que há ali muito de mim. hoje mudaria um pouco apenas o exterior, mas de resto, vivia ali hoje!