learning to be me

…nunca uma semana me levou a questionar tanta coisa na minha vida acho eu, por mais coisas positivas que este último ano me trouxe, trouxe também consigo extras que fugiram do meu controle e aos quais eu dei tanta atenção que acabei por tropeçar noutras questões que não tinha previsto. não falo da sociedade onde me meti e onde me sinto cada vez mais em controle de tudo e mais segura da escolha que fiz, não falo da loja mais querida do bairro que é a nossa cara, não falo das escolhas que como mãe tomo todos os dias e vejo os frutos dessas mesmas decisões, mas o que me custa são as pessoas. não sei lidar bem com pessoas que enganam, que se deixam levar por mundos tão fantasiosos, não sei lidar bem com enganos, decepções e histórias sem nexo. justificações que são obviamente contraditórias deixam-me com os nervos à flor da pele, acumulado com pessoas que têm dificuldade em sorrir, ou em dizer “bom dia” faz com que esta última semana tenha sido umas das menos gratificantes nos últimos tempos.
o respeito que tinha por quem atende o público em geral cresceu obviamente desde que eu própria o faço o dia todo, todos os dias da semana, mas não de todo aceito aquelas que atendem mal encaradas, faço, fazemos as duas um enorme esforço, é esgotante, é cansativo, mas ninguém tem que pagar por esse cansaço, esforço-me diariamente para que tenha sempre um sorriso ou um ambiente positivo e cheio de energia na loja, não consigo sempre, mas tento, tento mesmo, e só não consigo pois o esforço não pode vir só de mim, não sou de pedra e há situações verdadeiramente difíceis. sorrisos talvez só mereçam certas pessoas, e acredito que quando se entre numa loja não sejamos obrigados a fazer sala, não exijo converseta com cada cliente, mas quero a devida atenção, quero que se sintam bem e tratarem-nos como as donas de uma loja linda com coisas amorosas, abertas a novas ideias, mas criativas, com ideias giras e com vontade de ajudar no que for preciso, não somos indiferentes aos gostos das pessoas e tratamos cada projecto como o único, os atrasos e imprevistos acontecem, não fosse isto tudo feito à mão e em colaboração com artesãos, pessoas únicas que nos ajudam a criar tudo tão lindo. não somos apenas empregadas de balcão, não somos escravas de ninguém e muito menos indiferentes a atitudes de exigência verdadeiramente arrepiantes, friezas que metem medo, atitudes muito mas mesmo muito tristes.
devia aprender a não levar nada a peito, assumir uma postura de “a loja é minha, nossa, quem manda sou eu e se não temos, azar”… mas eu não sou assim, não quero ser assim, e no entanto a este ritmo arrisco-me a um dia acordar sem vontade, sem paciência e essa pessoa não sou eu. talvez comece por mim, mudar esta minha incapacidade de esperar algo de bom nas pessoas… no fundo eu sei que são, mas ali naquele lugar assumem outra postura que eu não entendo, da mesma maneira que parece ser muito normal que tantas pessoas se auto proclamem senhoras de algum dom, coisa que eu pouco ou nada sou, mas não consigam depois demonstrar isso em pessoa porque o ecrã do computador ajuda tanto a criar egos enormes e cheios de força. pena que assim seja, porque depois só vivem disso. o confronto é difícil para todos mas eu prefiro mesmo assim o frente-a-frente e não desilusões virtuais. sei que eu tenho que aprender a proteger-me mais e a sofrer menos, a atender com ligeireza e aprender que eu não faço milagres e não posso assumir compromissos para agradar trombas e arrogâncias… mas não quero deixar de sorrir, por ninguém e por nada. quero ser eu. e quero que a minha loja, casa, vida seja a minha cara… a sorrir.

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