gosto disto | mercado das trocas




Este Mercado da Trocas é um iniciativa da escola Bartolomeu Gusmão EB72 em Lisboa e de uma Associação de Pais cheia de vontade de criar um modo novo de partilha. Quantas vezes não deitamos fora coisas em casa que não sabemos a quem dar? Não sabemos quem precisa ou pode ter a quem passar?

Cá em casa faço muito esse processo de destralhar e passar o que já não serve, já não se usa e já não se brinca a outros. Tento deixar em instituições, mas também em igrejas e a quem puder passar a mais alguém. Destralhar também é terapêutico. Deitar fora faz-me confusão ao sistema nervoso e por isso tento por tudo que não vá nada para o lixo, até porque acredito pouco nos contentores espalhados pela cidade... acredito mais no entregar a quem precisa directamente.

O Mercado das Trocas faz isso mesmo. Trocam-se coisas. No entanto, ninguém é obrigada a deixar nada nem a levar o que quer que seja. Não queremos que seja um despejo de tralha, não é bem isso, mas queremos promover a partilha. Deixamos o que temos e levamos o que precisamos.

Das últimas 3 edições deixei muita cosia que quase nem assentou na mesa, vê-se que há quem procure as coisas mais simples e sabe que o que deixo também é bem tratado, e já trouxe sacos de brinquedos e roupa. Até já "devolvi" o que usei entre a 1ª e a 2ª edição, porque a roupa tem várias vidas e pode sempre ser usada desde que não estragada.

Se quiserem saber mais visitem o blog slower e descubram coisas muito interessantes sobre este tema e como se organizarem para participarem.

Não percam esta oportunidade, o espaço é agradável, para os miúdos correrem e explorarem, vai haver lanchinho e muita coisa para trocarem.

where to shop | wetani.lx

andreaportugal.pt

Quem nunca teve uma Tia Celeste que a compre. Foi a pessoa que me ensinou a nunca deitar fora logo e guardar até ver. Por ela, eu teria que viver num palácio para ter espaço para tudo, mas por causa dela o que guardo também tem um propósito, uma memória, um objectivo. "Não é o meu mo que guardar lixo", é guardar o que nos faz bem. 

Na Wetani. a sensação é de memórias, das boas, das conversas longas, das recordações, no entanto é uma loja, não a casa cheia da minha Tia Celeste. 

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Dos antigos serviços técnicos de algo que já não me lembro saiu um espaço que mantém em quase todos os recantos parte da sua história. Recebe o novo sem quase tocar no velho. 
É preciso olho para saber o que está à venda e no entanto apetece levar tudo, mas só se vier com as paredes. Havendo mesas e cadeiras era aqui que eu queria tomar chá. 

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wetani.lx | rua de são paulo 71 a/b lisboa | facebook . instagram

Marcas portuguesas com vontade de manter tradições e costumes, trazendo novo sangue ao bairro da Bica e turistas que também procuram a nossa história. A Wetani ajuda e que bom que é perder-se aqui. 

have a great week | 42.2018


where to eat | comida independente

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Trouxeram-me aqui por causa do balcão, andava há uns tempos a quero procurar pela cidade quem tivesse retomado e reinventado um determinado material, o terrazzo, ou em português, a marmorite. Um material muito associado a décadas passadas, mas que tem algo de único, parece um aglomerado de restos e no entanto tem quase uma potência de obra de arte numa só peça. 
Se antes o usávamos apenas para pavimentos, hoje em dia, temos uma panóplia de oportunidades para o usar. Este particularmente, e embora eu goste mais quando têm "restos" maiores, é sem dúvida espectacular. Feito à mão, com restos de vidro e pedra, o que lhe confere uma textura única e muito apetecível ao toque.

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Entrar é como ser convidado a ter uma experiência num conceito diferente de mercearia, de restaurante, de bar. Vim para ver a marmoreie e acabei por querer ficar horas ali na conversa e a experimentar cada queijo, cada presunto e até cada vinho, não fosse eu daquelas chatas que não bebe. Mas com os miúdos atrás também não era o momento. Perguntei sobre tudo, dei a volta ao espaço a querer não sair dali. 

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Num mesmo espaço ter acesso a tudo o que pode tornar um momento de convívio num verdadeiro banquete de emoções ao paladar. Não próprios para vegans, tanto em voga e tanto "in our faces" saber que há cuidado ao fazer queijos, ao tratar de carnes frias e de que há sempre um bom vinho para acompanhar cada dentada e cada sabor. E porque não acabar o momento degustativo e levar para casa um excelente pão caseiro e uns legumes frescos e da horta ali do lado. 

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comida independente | rua cais do tojo 28 . lisboa | site | facebook | instagram

Que boas surpresas tem esta cidade, numa esquina quase esquecida que não tarda ganhará outra vida, mas que guarda uma experiência diferente e sem dúvida deliciosa! 

wanderlust | a mindful triathlon



Quantas vezes já fizeram algo e não sabiam bem ao que iam? Quantas vezes vos dizem "'bora lá!" e tu vais sem sequer questionar? Hoje em dia, infelizmente faço menos vezes, mas nunca falha, é sempre bom e eu quero que este ano seja assim. Mais espontâneo, mais arriscado, menos metódico, mais arrojado, mais louco e mais mindful. 

Este domingo foi tudo isso. Ela falou-me do Wanderlust108 há um mês, nem pestanejei, e fui comprar bilhete... até que li com calma em casa o que isto envolvia, um triatlo mindful: corrida, yoga e meditação? 
Corrida? Eu? Até ando muito a pé e subo sempre escadas quando posso, mas correr? Vou morrer...  


Somos amigas há precisamente vinte anos e este foi uma excelente maneira de celebrar uma amizade que já teve um intervalo, que já viu passar namoros, que já tem cinco filhos, os meus são teus também e vice versa. Já passou por vários países, já angariou mais membros de um grupo coeso e tão bom e acima de tudo uma amizade ao sabor do vento, ninguém impinge, ninguém exige, tudo segue consoante a ventania...   



Este domingo foi assim, seguir ao som do vento, vento esse escasso e raro, mas que estava lá... tal e qual o que vivemos há tanto tempo. 

Três mil pessoas e comemorar a ser, o estar, o verdadeiro estado de mindfulness, que é nem mais nem menos o existir no presente, tomar consciência do que somos e onde estamos, tornar-nos melhor connosco próprios e com a relação que temos com o mundo à nossa volta. 

Wanderlus . Mindfuness . Yoga . Meditação . Amor 

Palavras chave de um momento único.  
  


Correr 5km para mim não era de todo possível, não aguento correr a minha rua, por isso conheço bem as minhas limitações, mas corri o meu início, corri o meu fim e cheguei a correr... no entretanto andei com velocidade e aquele momento ninguém me tira, um estado de solidão, mas não sozinha, entre mim e o som do meu coração, dos pulmões que pulam e pedem socorro, da mente que delega o que não interessa e se foca no que vale a pena.

Seguidos de 90minutos de yoga, momento quase coreografado aos pormenor por pessoas que não se conhecem, mas que se apoiaram da forma mais bonita... não há fotografias porque desliguei-me de tudo, de todos e era só eu. Apesar dos mantras serem a três mil vozes, eu estava só. 

Seguido de meditação, que nem sei como explicar o que senti. Foi no meio de três mil pessoas que meditei e me emocionei e n\ao fui a única. Experiência brutal de emoções e limites. Quem nunca fez, que experimente... não é só fechar os olhos, não é ´so ficar sentado de pernas cruzadas, é ouvir-se, é sentir-se, é abstrair-se... e não, não é imaginar que és uma flor, é lembrar-te apenas que és tu.

Fui de olhos fechados à descoberta de mim mesmo e do que seria capaz de fazer quando tivesse um dia só para mim. Levada pelo entusiasmo de quem me conhece tão bem, vivi um dia inexplicável, completo, emocionante e libertador. Porque vivemos tão concentrados no mundo quando devíamos aprender a viver connosco e encontrar primeiro o nosso norte.

Um domingo que não me sai da cabeça e das dores no corpo, dói-me tudo e mais um dedo e mesmo assim sinto-me ainda a levitar.